Estou farto do ensino português, sei que antes de começar a falar vão pensar, “la vem um puto mimado reclamar do que tem, mal sabe a sorte que tem” é o fácil, mas isto é apenas o desabafo de um puto que tá farto de ver o potencial que o ensino tem,e que consegue ver que não é apenas falta de investimento que falta, mas que há problemas óbvios mas que muitas vezes são ignorados e substituídos por coisas como “há falta de professores porque o salário é baixo “ ou “os putos hoje em dia estão com resultados horríveis por causa do telemóvel”
Nem sei por onde começar, talvez pela base e pelo que é mais discutido, os professores precisam de salários, sem dúvida, mas sabem o que eles também precisam, DE DAR AULAS; OS STORES TÊM QUE DAR AULAS, é absurdo o tempo que é perdido a preencher relatórios e burocracia em vez de se focarem em dar aulas, depois admiram-se que os professores vão para as aulas cansados e muitas vezes mal preparados. Fora o programa que é gigante e que obriga os professores a darem matéria a pressa, isso beneficia quem? Os alunos que têm que engolir matéria ou os professores que se sentem frustrados por não conseguir fazer como deve ser aquilo que têm como vocação?
Agora vamos à parte que nos toca, “os putos só querem saber do tik tok” será isso? ou será a sociedade que prefere manter os miúdos com um telefone na cara do assumir a responsabilidade que têm na formação das crianças?, é mais fácil proibir e demonizar o telemóvel do que promover um uso responsável dele, mas acham mesmo que isso é uma solução ou temos todos noção do problema que isto vai causar a longo prazo? ya a concentração nas aulas aumenta com a proibição dos telemóveis na escola, mas e quando os miúdos saírem da escola e não souberem como controlar o vício? vamos continuar a fingir que o problema tá resolvido pq na escola não tocam nele, ou vamos aceitar que se nem os adultos estão a conseguir lidar com isto (principalmente vídeos curtos) , então muito menos as crianças vão conseguir?
Ah querem saber outra, “têm que dormir 8h” e “o desporto é fundamental na vida do jovem” haha, ouvir isto enquanto olhamos para o horário escolar um aluno médio de uma escola pública até parece piada. É impossível para um aluno estudar, conciliar desporto e família e amigos sem abdicar do sono e toda a gente sabe disso, e mesmo depois admiram-se que os alunos vão para as aulas dormir, e é uma sensação horrivel, porque, “ se o sistema de ensino diz que é possivel ent pq que para mim parece impossível?” É o que eu e muitos de nós pensamos, até nos lembrarmos que o filho de quem faz as regras não vive nas condições da maioria.
Falam de espírito crítico e respeito ao próximo mas cada vez que os alunos procuram mudanças a resposta é ignorância, tomam decisões e influenciam a vida dos alunos sem ao mínimo crer saber ou ouvir a visão deles, com isto n tou a dizer que os alunos é que têm de decidir porque assim havia intervalos de 1 hora e meia e aulas de 10 min, mas custa que , por muito que tentemos falar, por muito que tentemos ser moderados e por muito que tentemos resolver os problemas em conjunto a resposta por parte de quem manda é sempre a indiferença.
e como cereja no topo do bolo, ainda dizem “têm que ter responsabilidade”, primeiro temos que ter a opção de a escolher ter
isto é apenas um desabafo, tentei evitar falar de grandes mudanças estruturais, porque sabemos que isso nunca é tão fácil quanto parece (apesar de ter falado dos horários, falei mais para mostrar a constante hipocrisia que o ensino vive) porque considero que muitas vezes nos esquecemos que grandes resultados nem sempre implicam grande medidas estruturais, e que, mais investimento, para um sistema que pensa apenas no curto prazo é como mandar água a um balde com um furo no fundo, por muita que seja a água nunca vai ser suficiente para encher o balde … (poderia ter falado da necessidade de gastos absurdos em explicações em portugal, da diferença entre o privado e público, entre outros, mas deixo isso para quem sabe e estuda isso, basei isto tudo apenas naquilo que eu vivo e reparo, posso e devo estar errado em muita coisa do que disse, mas de certeza que não em tudo)