Sei que essa opinião pode gerar bastante discussão, mas acho que o Brasil deveria considerar a possibilidade de acabar com as escolas particulares e investir em um sistema de educação exclusivamente público.
Pensa comigo: por que aceitamos tão naturalmente que a qualidade da educação de uma pessoa dependa tanto da condição financeira da família dela?
Enquanto alguns estudantes têm acesso a escolas com boa infraestrutura, materiais didáticos variados, professores disponíveis e preparação específica para vestibulares, outros precisam lidar com falta de recursos, dificuldades de aprendizagem sem acompanhamento adequado e uma estrutura que nem sempre oferece as mesmas condições de estudo.
E depois todos são colocados para disputar as mesmas vagas nas universidades. É claro que existem estudantes excelentes na rede pública e escolas particulares que também enfrentam dificuldades, mas não dá para ignorar que as oportunidades educacionais são muito diferentes.
Minha ideia seria que todos frequentassem escolas públicas, independentemente da renda familiar. Assim, em vez de existirem sistemas separados por capacidade de pagamento, toda a sociedade dependeria da qualidade de uma mesma rede educacional.
Imaginem se estudantes de famílias ricas e de famílias pobres frequentassem as mesmas escolas, tivessem acesso aos mesmos recursos e recebessem uma educação de qualidade equivalente. Será que isso não ajudaria a diminuir a distância entre as oportunidades de cada um?
Não estou dizendo que simplesmente fechar as escolas particulares resolveria tudo. Seria necessário ampliar a infraestrutura, valorizar os professores, garantir materiais adequados e investir muito para que a rede pública pudesse atender a todos com qualidade. Afinal, tornar o ensino exclusivamente público não significa, automaticamente, torná-lo bom.
Também não acho que todos os países devam seguir exatamente o mesmo modelo educacional. Mas considero válido questionar por que a educação de qualidade ainda é tratada, na prática, como algo que algumas famílias conseguem comprar, enquanto outras precisam se contentar com o que está disponível.
E aí entra outra questão: se todos tivessem acesso a uma educação básica de qualidade semelhante, será que precisaríamos discutir as desigualdades no acesso à universidade da mesma maneira que fazemos hoje? Isso não significa que todas as diferenças desapareceriam ou que políticas de inclusão deixariam de ser necessárias, mas talvez pudéssemos começar a enfrentar o problema muito antes do vestibular.
Enfim, sei que essa proposta é radical e que existem argumentos importantes sobre liberdade de escolha, capacidade de atendimento e diferenças entre escolas. Mesmo assim, acho que vale discutir a ideia.