Primeiramente, quero dizer que o meu conhecimento sobre economia não é muito extenso, mas essas ideias me vieram à cabeça.
Discute-se há décadas como industrializar o Brasil, com políticas industriais, subsídios, crédito do BNDES, proteção à indústria nacional etc e tal, para propiciar o desenvolvimento do país. Mas, apesar de tantas tentativas, a indústria brasileira continua seguindo a voos de galinha e nossas exportações em sua maioria continuam sendo de bens primários, de baixo valor agregado.
Então me veio uma dúvida: será que não faria sentido o Brasil apostar também em outra estratégia: incentivando a internacionalização das nossas empresas? Aumentando os nossos ativos e investimentos no exterior para trazermos divisas para cá?
Em vez de concentrar tantos esforços em tentar produzir tudo aqui dentro, poderíamos estimular empresas brasileiras a expandirem suas operações no exterior, adquirirem empresas estrangeiras, bancos, seguradoras, indústrias, imóveis comerciais, infraestrutura e outros ativos que gerem renda.
A WEG, por exemplo, já faz algo parecido, com fábricas, aquisições e operações em diversos países. Mas poderíamos pensar nisso em uma escala muito maior, envolvendo não apenas empresas industriais, mas também o setor financeiro.
Imaginem bancos como Itaú, BTG (este já faz muito isso) e Bradesco ampliando suas operações internacionais e adquirindo instituições financeiras no exterior. Ou seguradoras como a Porto Seguro comprando seguradoras de lá de fora e outras empresas brasileiras comprando concorrentes estrangeiras. Gestoras de investimento brasileiras poderiam adquirir participações em empresas, shopping centers, imóveis comerciais, infraestrutura e diversos outros ativos ao redor do mundo.
A ideia seria fazer com que uma parcela crescente dos lucros gerados no exterior pertencesse a empresas e investidores brasileiros, criando fontes de renda menos dependentes do desempenho da nossa economia.
Parte desses lucros poderia retornar ao Brasil na forma de dividendos, investimentos e distribuição de resultados. Ou, preferencialmente, os lucros poderiam ser usados para haver ainda mais expansão e aquisições no exterior. Isso também ajudaria a diversificar nossa exposição econômica, fortalecer nossas multinacionais e aumentar a renda nacional. Sem falar nos impostos que isso geraria, pois o imposto corporativo desses lucros seriam taxados aqui, pois não a matriz dessas empresas seria brasileira. Com essa internacionalização das empresas, elas teriam acesso a crédito mais barato para se expandirem ainda mais (leverage), pois os juros em dólar e euro são bem menores.
(Um pequeno exemplo: ano passado, a rede d'or QUASE comprou uma rede de hospitais privados em Portugal, com certeza já ensaiando uma expansão internacional. Infelizmente, o grupo australiano Macquire acabou oferecendo mais e levou.)
E, ironicamente, talvez essa estratégia até ajudasse a própria industrialização brasileira. Empresas com operações internacionais poderiam acumular capital, adquirir tecnologia, ganhar escala e, portanto, investir mais em pesquisa, desenvolvimento e produção no Brasil. Além de que, ao se trazer dividendos e fortalecer salários aqui (afinal de contas muita gente seria empregada nas matrizes aqui e ganharia com bonus, salários mais altos, participações nos lucros, etc), mais demanda por produtos e serviços haveria - ou seja, beneficiando-se nossa indústria por tabela.
Não estou dizendo que deveríamos abandonar a indústria nacional, muito menos subsidiar indiscriminadamente aquisições no exterior. A questão é se não faria sentido criar condições e incentivos para que o Brasil deixasse de pensar apenas em atrair investimentos estrangeiros e passasse também a construir um estoque muito maior de investimentos brasileiros no exterior.
Países desenvolvidos não são ricos apenas pelo que produzem dentro de suas fronteiras. Muitos também possuem empresas multinacionais e enormes estoques de ativos no exterior que geram renda continuamente para seus residentes. É o que se chama de FDI, correto?
Será que não estamos excessivamente preocupados em trazer fábricas estrangeiras para cá, enquanto damos pouca atenção à possibilidade de transformar empresas brasileiras em grandes proprietárias de ativos produtivos ao redor do mundo?
Gostaria de saber o que vocês acham dessa estratégia. Seria um caminho viável para o desenvolvimento brasileiro ou os benefícios seriam limitados? O BNDES poderia ter um bom papel nisso? ''Tirar'' esse capital do país inicialmente nos traria benefícios, inclusive enfraquecer a nossa moeda?
Acredito que o Reino Unido tem uma economia mais ou menos assim. Eles se desindustrializaram ao longo das últimas décadas (diferentemente da Alemanha e França), mas desenvolveram um sistema financeiro que traz lucros do mundo todo pra ali.
O que acham dessa ideia? Besteira minha? Difícil de tirar do papel? Já temos a Weg, BTG e JBS trazendo lucros e mais lucros de lá de fora sem apenas exportar bens daqui. Não poderíamos desenvolver esse sistema? Lembrando, não sou especialista em economia e pode parecer muito simplório o que estou falando. Mas.... digam aí o que pensam.