Gostaria de Feedback acerca do desempenho da minha história, ela é cheia de preconceito, racismo, erotismo acerca de um casal de desconhecidos
Capítulo O1
“O casamento”
— Gaspar Nascimento, quereis receber por vossa legítima esposa Ana Letícia de Caldeira, e prometeis ser-lhe fiel em todo o tempo de vossa vida, na prosperidade e na adversidade, na saúde e na enfermidade, amando-a e respeitando-a?
O par de mãos de Ana Letícia sobre as de Gaspar, enquanto a dela era firme, cheia de si, a dele era molenga e suada, de modo que visível todo estresse e ansiedade, tanto nos olhos quanto no tremelique. Apertou-a pelo pulso, então seus olhos subiram até os ombros. Acima, nivelou-se par a par, cara a cara com a noiva. Mas, de súbito, abaixou. Então, Ana Letícia respondeu com uma provocação:
— Ora, Gaspar, eu não mordo! ... - Encheu-se de um sorriso de bochecha a bochecha, com uma tentativa muito descarada de disfarça-lo.
Infelizmente, sua mão não conseguiu conter tanta risada. Em seguida, na própria plateia daquela cerimônia, que não se sabe decidir se é litúrgica ou humorística, antes do próximo movimento, ele encarou através das pessoas. Ora de sorrisos cheios, ora de caretas sérias. O próprio pai atrás daqueles óculos, quase se apossa da vontade do "menino", assim, incapaz de se escapar qualquer outra palavra que não as apropriadas à situação. Então, Gaspar disse: "Sim, quero".
O sacerdote voltou-se para Ana Letícia e repetiu. Ela respondeu, com a voz cheia:
— Sim, quero
O consentimento estava dado. Era o momento de selar o vínculo. O padre abençoou as alianças de ouro, que seriam entregues e não trocadas, conforme o costume:
— Benedic, Domine, annulos istos… — e, em seguida, aspergiu-as com água benta.
Gaspar tomou a aliança e a deslizou no dedo de Ana Letícia, dizendo o que lhe competia:
— Com este anel, te desposo, em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
O sacerdote, então, uniu as mãos dos dois e, com a estola, envolveu-as, num gesto que simbolizava a união indissolúvel que ali se operava. Quando as palmas das mãos se tocaram, apertadas umas às outras, ruborizaram-se as bochechas do "menino". Enquanto seu par tenta encará-lo nos olhos com um sorriso entre lábios grossos, reage com distância ao chão.
Por fim, com a autoridade que o rito lhe conferia, pronunciou a declaração que os tornava uma só carne aos olhos da Igreja e da Coroa:
— Ego vos in matrimonium coniungo, in nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.
— Eu vos declaro marido e mulher, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amen.
E, dirigindo-se aos noivos, concluiu com a exortação de praxe, que ecoou solene pela nave:
— O que Deus uniu, não o separe o homem.
Depois da citação de praxe do sacerdote, vê-se a plateia. A maioria são brancos, enquanto à esquerda, uma pequena família negra, de cor café, assim como a noiva, está à frente, ao lado de um homem mais velho, destacado pela cor. Enquanto à direita estão os parentes do noivo, incluindo-se seu próprio pai. Ambivalente entre o comportamento cheio de alegria, risos e choro, e a seriedade de quase apatia da família de Gaspar.
Ana Letícia o pega pelos braços, apertando-os com força, algo que o próprio “menino” não sabia que ela tinha. Ela puxa e então dá um beijo sincero e longo, até demais. O sacerdote encara aquilo como pecado, visível pela sua expressão nada agradável. Sobre os bancos à esquerda, vê-se pulos, barulheira, assobios e palmas. Sobre os bancos à esquerda reagem com desprezo, não só pelo suposto pecado... Mas coisa a mais.
Gaspar, já pego de surpresa, tenta retornar à pompa de sempre. Disfarça-se por um sorriso muito mal feito, enquanto genuinamente sua esposa tenta agradá-lo com outro. Ela tenta cruzar seus braços, mas ele se afasta, já dando tchau com as mãos em direção ao seu pai. Ouve-se a plateia levantando, com cumprimentos já aos conhecidos e aos novos rostos, muitas vezes de parentes e amigos dos convidados da outra parte.
— Sr. Tomé! Sr. Tomé! - Diz Gaspar de sobremaneira alto, referindo-se ao próprio pai
Então, senhor Tomé, aperta-o com força pela mão, cumprimentando, mas, de sobremaneira, apertado, visivelmente dando-lhe uma punição.
— O que acha que faz? Menino - Ele fala calmamente, com voz contida para não atrair atenção.
— Nós precisamos conversar...
Então ambos vão para a sacada, me que se fecha as portas atrás, iniciando-se uma extensa discussão:
— Já não é suficiente para você me humilhar, mas fez questão de que ela me beijasse na frente de toda a família?!
— Menino, nós o deixaríamos óbvio demais se não garantirmos a validade do casamento! Agora, cale a boca, sem mais nenhum comportamento do gênero, com sorriso no rosto, aceite qualquer coisa pedido da sua espo... -
— Esposa!? Você sabe o que ela é, agora aquela coisa é parte da família com seu sobrenome.
Sr. Tomé levanta Gaspar pelo colarinho, pés pairam sobre o chão, enquanto se vê atrás dos óculos, já conhecido par de olhos, de sobrancelhas grossas os fazendo pequenos, enquanto dentes rangem no meio da barba branca
— Menino, você se enfiou nessa situação pela mesma razão de que não te chamo de homem, agora me obedeça, por que você é tão indigno do meu sobrenome quanto aquela beiçuda!
— Pai ... — ele aponta para baixo
Vê-se um pequeno burburinho na rua, abaixo da sacada, fora da propriedade do casarão, Senhor Tomé larga seu filho e então dá batidas em sua roupa, ajeitando-a, acalmando sua raiva quase homicida.
— Nós estamos conversados, moleque.
Capítulo O2
“Filho de peixe, peixinho é”
— Não estou certa de que foi a melhor decisão, ter-me feito esposa de um homem que não me ame, pai — Os braços estão sobre o apoio da sacada, um sob o outro, de mãos largadas
Pai e filha, uma silhueta cor café de curvas femininas, outra ao lado mais alta e clara, ambos com olhares horizonte à frente, sem qualquer coisa em foco...
— Assim as mulheres tem feito, desde que o mundo é
— Não faz ser certo!
— É necessário, você sabe como te veem, se não pelo meu dinheiro que seria de você?
— Uma mulher atraente, esperta e com muita ousadia!
— Ainda assim antes de qualquer coisa, vê-se sua pele.
Então encostou seu rosto às mãos, com um dedo girando o anel de ouro, ainda quente e úmido pela água benta; a sacada cheia de flores, talvez lhe animassem, infelizmente, abaixo dela na festa cheia de gente, um senhorzinho corcunda transpassa através, ele tenta inocentemente conversar, logo as desculpas convenientes, nenhum amigo, parente ou conhecido de Gaspar o respondeu.
— Você percebe como ele me vê?
— Sim
— Então fale em voz alta, Brás, eu te mando!
— Nojo ...
— Você jamais saberá o que é estar em um mundo, o qual não foi feito para você
— Eu não, Ana, mas sua mãe sabia...
Exclusivamente a festa abaixo tem vez, a barulheira de pratos, talheres, música, conversa enchia a sacada, com flores até convenceria algum leitor, pela imagem, de que há qualquer beleza na cena.
— E como a mamãe era?
— Já te disse muitas vezes
— Eu gosto de te ouvir acerca dela, Brás, por favor...
— Ela era atraente, esperta e com muita ousadia, Ana, assim como...
Ele não precisou terminar, antes de ser interrompido.
— Por favor, sem brincadeiras e elogios sem qualquer razão!
— Mas assim era ela, não se abaixou para nenhum homem, nem mesmo eu e sabeis quão insistente é seu pai! — Solta-se um arzinho do nariz de ambos, com risadinhas contidas inapropriadas à situação.
— A vontade é sua, minha filha, mas se quiserdes ter filhos, saiba, sem o sobrenome de Gaspar jamais serão reconhecidos.
— Então serei como a mamãe...
Ela levanta sua cabeça, dando-lhe um beijo à bochecha esquerda, enquanto abre as portas, de passos longos e premeditados, em um desfile com mãos à cintura. Enquanto entra no casarão, Brás, ainda no apoio da sacada, fita a gente embaixo, uma festa de classe, em que qualquer pompa possível é necessária, do contrário não seria à altura dos seus convidados. Em respiração pesada, enfiou-lhe a mão paletó afundo, de repente um relógio de bolso, um clique e se vê um retrato, uma mulher cor café com olhos penetrantes através. Não se sabe quanto, mas por certo bastante, tempo suficiente para um criado lhe alertar, em passos contidos, ao súbito de fala alta.
— Sr. Brás, Ana Letícia gostaria de conhecer a família de Gaspar!
Então, ele guardou o relógio, com movimentos lentos e desproporcionais ao tom da conversa virou-se e disse com cara sem nenhuma reação:
— Conveniente, então a permita, eu irei vê-la daqui de cima.
— Sr. Brás, mas tem certeza disso? ...
Não teve necessidade de resposta, ele simplesmente franziu e depois se apoiou à sacada, donde vê abaixo todo pátio do casarão, em que ambos, Gaspar e Ana Letícia se enfiavam entre gente. Para um leitor desatento, até se pode passar por casal, mas qualquer apaixonado por livros, mais um par de desconhecidos sob responsabilidades.
Entrou-se, Ana Letícia, entre os Nascimento. Agora, a família com quem tem o mesmo sobrenome, a noiva era ímpar entre as mulheres, de vestido largo e longo, cor rosa, enquanto as consanguíneas de Gaspar se limitavam a menos pompa, por certo não à vontade das próprias, mas sim das carteiras de seus maridos. Não se demorou a coceira na orelha.
Para pior, Ana Letícia era aquele tipo de mulher, cujos olhos nos penetram até dentro, cujos lábios são um convite nada discreto, cujos seios nos apossam a atenção com forma impossível de se esconder, da ponta dos pés até cabelo, uma tentação, um motivo de inveja das outras mulheres, já agindo contra sua recém prima.
Enquanto ao seu lado, Gaspar, para seu pai, ainda um menino, mesmo que o corpo já alto e ombros largos, rosto digno de um cavaleiro, cuja Ana Letícia leu em crônicas acerca de um lugar além mar conhecido por "Europa".
Que menina não se apaixona por um cavaleiro de cabelos feitos de ondulados raios de sol e olhos como o próprio céu, onde paira o astro maior? Diante de Gaspar, uma estrela menor! Claro, apenas na cabeça de meninas apaixonadas.
Lado a lado, aquela mulher e aquele homem, ainda que ambos atraentes, como se vê apenas em romances, aos olhos da gente na festa, nunca seriam mais que uma negra e um feitor de escravos. Por essa mesma razão, não faltou qualquer comentário mal-intencionado ou piada de mau gosto, até então, por suas costas.
Infelizmente, do meio das mulheres tem advento, coisa pior a que apenas constrangimento, de passos à fundo numa marcha comparável ao avanço de toda uma tropa de cavalaria da Coroa, com quase queda das vítimas nada inocentes, as quais por infortúnio à frente, cujo verdadeiro objetivo era a noiva, sua nora.
— Vossa mercê, minha filha! — Ana Letícia já pede sua benção, beijando-a a mão logo respondida pela concessão.
— Vossa mercê, minha senhora!
— Ora, por favor, chame-me de mãe, não há necessidade de tanta educação, nós somos família.
Ela possuía apenas uma, por certo, não era aquela mulher.
— Por certo, mãe, a que devo sua queridíssima presença?
— Conhecer-te é natural, em vista da relação com meu filho, assim, gostaria que se apresentasse a mim.
— Ora! Mãe, não sois uma inquisidora para a encher, minha esposa, de tantas questões, afinal, uma conversa não é um interrogatório! — Interrompeu-a, Gaspar, com pouco fôlego pela surpresa.
— Não se desacostume aos modos, os quais sua própria mãe o ensinou, permita-lhe e digo mais, eu surpreenderei as expectativas.
— Como foste educada?
— No estrangeiro, sob a Coroa da França, em Maison royale de Saint-Louis!
— Então eu suponho que ...
— Oui, je parle français.
— Que nora impressionante! Tal qual Dumas, tendes educação acima da própria natureza.
— A que se refere por minha natureza?
— Bem sabeis, ora ...
— Não, eu não sei, a Sra. Poderia esclarecer!
— Tu és negra, minha filha, segundo estudos do crânio a tendência de gente como você é submissão.